
Sabe aquela pergunta: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Parece que ela também paira a cabeça de alguns franciscanos no tocante a história de nossa grande família. Mas não interessa saber quem é o irmão mais velho ou mais moço, mas que somos todos grandes irmãos.
Pelo que nos conta a história, antes de conhecermos a JUFRA como atualmente é, o Papa Paulo VIcriou o que hoje denominaríamos, por questões etárias, de Micro ou Mini – Franciscanos; os denominou de cordígeros e incentivou a tantos quanto a salvação desejassem que se tornassem cordígeros.
Uma das coisas mais bonitas que se tem em uma família equilibrada e estruturada é o respeito mútuo que há a nela. Uma grande prova disso é a introdução do Estatuto da Jufra que Diz “A Jufra se rege pelo presente estatuto e considera válidos os documentos da OFS”. Então, se lançarmos mão do artigo 24 da regra da OFS veremos que a mesma diz o seguinte: “Para fomentar a comunhão entre os membros da Fraternidade o conselho (secretariado – inclusão nossa) organize reuniões periódicas e encontros frequentes... Adotando meios apropriados (grifo nosso) para um crescimento na vida franciscana e eclesial, estimulando cada um à vida em fraternidade...”
Entendemos meios como recursos, possivelmente metodológicos, para alcançar o objetivo que é o crescimento individual e comunitário, nos aspectos citados. Mas o grande lance do texto foi a palavra apropriado. O(s) autor(es) foi muito feliz escolher esta palavra.
Na época dos cordígeros, não se conheciam os termos criança e adolescentes e estes eram tratados como adultos em miniatura. A linguagem e o tratamento não eram apropriados à sua respectiva faixa etária.
A grande missão nossa, como pais, mães, irmãs e irmãos mais velhos é repassar o carisma de maneira apropriada. E para isso não precisamos ser formados nas mais diversas áreas de educação. Observe as pessoas que tem filhos pequenos (se for pai recentemente se observe e se já vivenciou essa experiência a tempos relembre) e veja como elas se comportam diante de seus filhos para que eles aprendam a falar. Grande maioria não tem conhecimento em lingüística, mas para que haja uma associação da memória visual com memória oral, muitas vezes eles omitem alguns fonemas como em Papai que vira papa, Mamãe que vira mãmã, água – au-a e cachorro que quando não é tótó é au-au.
Lançando mão de três conceitos básicos: Maturação, Estímulo e aprendizagem, os subsecretários para assistência a infância, micro e mini – franciscanos (esse é o nome dado à pessoa responsável por trabalhar com crianças e adolescentes que não tenham idade de ingressar na Jufra) deverão desenvolver formas de evangelizar aos moldes franciscanos, visando atingir as metas do Jufra do Brasil.
Peguemos um pai como exemplo (principalmente aqueles que amam futbol). Que alegria não deve ser quando ele vê seu filho engatinhar. Aí ele percebe que o pequeno ser cresceu (maturou) e é capaz de desenvolver ações que antes não conseguia. Então ele se coloca a uma determinada distância e de braços abertos diz “Vem pro papai, vem” – essa ação estimula a criança a dar seus primeiros passos e é assim que a grande maioria aprende a andar.
Esse é o nosso trabalho, tornar entendível aos pequeninos nossa forma de vida. E não adianta dizer que essa é uma tarefa difícil. De fato tem que ter jeito para a coisa, mas há algo mais chato e complexo que leis? E algumas delas a exemplo da Constituição Federal, Código do Consumidor e Estatuto da Criança e Adolescente já foram adaptados a linguagem infanto-juvenil.
Neste momento não estamos preocupados com o que vamos aplicar em nossas fraternidades, mas como e por quem. Temas e assuntos existem centenas de milhares na internet, no entanto devemos selecionar não somente aqueles que sejam condizentes com nossa realidade sócio-religiosa de cristão franciscanos, mas também que sejam coerentes com a realidade de nossas crianças e adolescentes.
A mesma dica serve para as dinâmicas de grupo: jogral, gincana, júri simulado, teatro de fantoches, flanelográfo, etc. com 1 único tema é possível trabalhar de diferentes maneiras. Pense em uma mãe de família. A carne é a mesma, mas o que ela pode fazer com aquele pedaço de carne, depende apenas de sua criatividade, ousadia e iniciativa. Assim surgiram os grandes chefes da gastronomia. Por isso, antes de começar colocar obstáculos, peça a Deus o dom da criatividade, tenha ousadia e inicie um dos trabalhos mais gratificantes de sua vida.
Este artigo foi publicado na revista Paz e Bem
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